quinta-feira, 20 de maio de 2010

as águas e o espelho

As águas e o espelho

O espelho, não.
Não esta lâmina civilizada,
este ângulo reto que amputa o tempo,
esta prisão onde penduro
quadros que não sangram.

Agarro seu dorso liso —
mãos que tateiam
o que já sabem encontrar —
e resisto.
Um espelho não deve cair:
imagens se cruzam em
seus pedaços.

Até que a pedra em meus olhos
aceite o fogo que a desafia,
e meu corpo, enfim,
desate-se em rio
que ignora margens.

Não quero a estátua
que o espelho cultiva.
Quero o poço onde
um peixe salta,
uma flor desabrocha,
um narciso se entrega.

Água viva
que devora
meu reflexo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

tempo está em cada corpo

na matéria fluida fluxo líquido rio vez ou outra apegar-se à margem

agarrá-la pelos cabelos

e, largando o corpo aos poucos nesse rio disssolver-se mais lento que o tempo geral mas sempre indo contínuo

terça-feira, 4 de maio de 2010

complexo de prometeu

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Música do Fogo
comidas, danças, magias
guerras e químicas do Fogo
(o fogo é do bem, o fogo é do mal)

em toda parte humanos usam o Fogo
transforma veloz as coisas do mundo
além de tudo, o Fogo é um ser social.




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quinta-feira, 25 de março de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

extensões (até onde o corpo alcança)

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eu poderia sair pelo mundo
conhecendo o verde das árvores e dos campos,
ouvindo o comunicar dos pássaros,
experimentando o sabor das frutas,
sentindo na pele o vento que vem do deserto,
poderia sair pelo mundo
aprendendo outras línguas e inventando nome pros mais estranhos bichos;

eu poderia ser Alexandre ou Jesus.

mas eu tenho uma geladeira;




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segunda-feira, 22 de março de 2010

Espantapájaros - 7

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!
Todo era amor... amor! No había nada más que amor. En todas partes se encontraba amor. No se podía hablar más que de amor.
Amor pasado por agua, a la vainilla, amor al portador, amor a plazos. Amor analizable, analizado. Amor ultramarino. Amor ecuestre.
Amor de cartón piedra, amor con leche... lleno de prevenciones, de preventivos; lleno de cortocircuitos, de cortapisas.
Amor con una gran M, con una M mayúscula, chorreado de merengues, cubierto de flores blancas...
Amor espermatozoico, esperantista. Amor desinfectado, amor untuoso...
Amor con sus accesorios, con sus repuestos; con sus faltas de puntualidad, de ortografía; con sus interrupciones cardíacas y telefónicas.
Amor que incendia el corazón de los orangutanes, de los bomberos. Amor que exalta el canto de las ranas bajo las ramas, que arranca los botones de los botines, que se alimenta de encelo y de ensalada.
Amor impostergable y amor impuesto. Amor incandescente y amor incauto. Amor indeformable. Amor desnudo. Amor-amor que es, simplesmente, amor. Amor y amor... !Y nada más que amor!



Oliverio girondo, 1932

sexta-feira, 5 de março de 2010

direção infinito













para o tempo somos a mesma geração.