terça-feira, 3 de março de 2026

Arquibancadas vazias.

Uma câmera aprende a voar

para seguir o chute

de Juninho Pernambucano.


A bola sobe

e já não é bola:

varia —

folha seca

em desacordo com o ar.


Depois, borboleta.

Depois, ave.


Meus olhos vão.

Eu voo.

A paisagem se oferece.


Bento Ferreira se ergue em andaimes:

prédios futuros

ensaiam cobrir a pedra

que ainda pensa.


A ave sobe mais.

Meu corpo pesa,

mas não cai.


Voar é aprender

a sair do chão.


Antes do excesso,

a ave pousa

na janela mais alta.


Do lado de dentro,

meu filho brinca.


Atravesso.

O mundo me devolve

ao nome que sustenta o corpo no chão:


pai.

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