quinta-feira, 14 de julho de 2011

rádio porco (canção de açougue)

mocotó de porco

          fêmur junkie

arranca a perna do corpo
lambe o braço do corpo

           rádioporco
         

          fêmur junkie

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Leonílson



saindo de sua sala
      adormeço
soluço
    recrudesço
também sei sonhar
sonâmbulo     no
poço
        azul do
     desejo
a Paulista atravesso a pé
entre a gente que desvia
do encontro.


c h e g a m     à     o u t r a      m a r g e m 
p e l a     f a i x a     d e      p e d e s t r e s
s a b e m       p a r a        o n d e        v ã o
                 - e  vão  sempre  pela   faixa  de  pedestres.


pudera,
se assobio entre os carros
num passado artístico
                       arrisco
virar nem notícia

mas confesso:
tenho apreço pelos anonimatos
gosto.


sem ser suicida
(não somos, você e eu)
hoje, cedo anoiteço

- volto a fita -

amanhã disperso.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

vi na vi la

A MOR SE FOI CE
EM BO RA TOR RE
TOR NE A RE TOR NAR

sábado, 2 de outubro de 2010

depois do filme "A Mosca"

[1ª parte]

Experimentar ser deus

no alto de minhas asas translúcidas —

para além do humano, vir-a-ser

potência divina —

até que esta carne traidora,

este casulo de vísceras,

não acompanhe a vertigem da viagem

e subitamente

      queda

ou monstruosamente se transforme.

Uma variável a mais, talvez uma variável a menos —

se saber o que me trouxe aqui

trouxesse de volta o que perdi...

 

[2ª parte]

Luto por lembrar o direito

nome das coisas de quando sabia ser humano.

Mas só me resta este corpo

inchando como porco abatido,

o sangue da onça que matei

diluindo-se em meus rios correntes.

 

[3ª parte]

Uma mosca de 84kg expele um vômito

ácido que corrói seu braço em poucos minutos.

Por isso,

mais respeito com todos os insetos, bicho.

 

Esta noite, em uma cidade de pedra —

feita de becos, escadarias, copas e muros —

reunirão-se os gatos

a fim de conservarem sua humanidade

          praticando.por isso,

mais respeito com todos os insetos, bicho.

.

esta noite, em uma cidade de pedra

feita de becos, escadarias, copas e muros

reunirão-se os gatos

a fim de conservarem sua humanidade

praticando.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

as águas e o espelho

As águas e o espelho

O espelho, não.
Não esta lâmina civilizada,
este ângulo reto que amputa o tempo,
esta prisão onde penduro
quadros que não sangram.

Agarro seu dorso liso —
mãos que tateiam
o que já sabem encontrar —
e resisto.
Um espelho não deve cair:
imagens se cruzam em
seus pedaços.

Até que a pedra em meus olhos
aceite o fogo que a desafia,
e meu corpo, enfim,
desate-se em rio
que ignora margens.

Não quero a estátua
que o espelho cultiva.
Quero o poço onde
um peixe salta,
uma flor desabrocha,
um narciso se entrega.

Água viva
que devora
meu reflexo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

tempo está em cada corpo

na matéria fluida fluxo líquido rio vez ou outra apegar-se à margem

agarrá-la pelos cabelos

e, largando o corpo aos poucos nesse rio disssolver-se mais lento que o tempo geral mas sempre indo contínuo

terça-feira, 4 de maio de 2010

complexo de prometeu

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Música do Fogo
comidas, danças, magias
guerras e químicas do Fogo
(o fogo é do bem, o fogo é do mal)

em toda parte humanos usam o Fogo
transforma veloz as coisas do mundo
além de tudo, o Fogo é um ser social.




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