Arquibancadas vazias.
Uma câmera aprende a voar
para seguir o chute
de Juninho Pernambucano.
A bola sobe
e já não é bola:
varia —
folha seca
em desacordo com o ar.
Depois, borboleta.
Depois, ave.
Meus olhos vão.
Eu voo.
A paisagem se oferece.
Bento Ferreira se ergue em andaimes:
prédios futuros
ensaiam cobrir a pedra
que ainda pensa.
A ave sobe mais.
Meu corpo pesa,
mas não cai.
Voar é aprender
a sair do chão.
Antes do excesso,
a ave pousa
na janela mais alta.
Do lado de dentro,
meu filho brinca.
Atravesso.
O mundo me devolve
ao nome que sustenta o corpo no chão:
pai.