sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

ecos

poesia
porque amo a vida
e não gosto destas casas ôcas que construímos dia-após-dia

porque é necessário coragem para viver entre seres-humanos
e não é nenhuma covardia deslocar o pensamento para fora das cidades
(é preciso coragem de qualquer modo)

porque no quanto há de materialismo na vida comum
há também um quantum de destreza nas linhas de fuga que, sabem, assistirão estrelas em decomposição pós-sideral

porque
já experienciamos isso antes

e fingimos que esquecemos pois não estão nos livros sérios.


...


falando em livros sérios, este próximo trecho foi encontrado logo após o almoço. é de um livro de anotações de um autor cujo nome também pertence ao reino dos bichos.

o tempo é uma expansão contínua de cada consciência numa série tonal.

(o que você prefere: de cada consciência ou em cada consciência? - atenção, só pode escolher uma opção)

o retorno é sempre certo, mas se relaciona a períodos em distância gradual. feito um dó para outro dó; para um sol, para um dó; para um mi, para um sol, para um dó; para um mi, para um sol, para um si (e agora já há um conflito - que se disfarça na ânsia de já se saber há de vir outro dó) ...essa coisas que a gente inventa quando nota uma reverberação. dependendo do ouvido há sempre uma única e mesma nota, uma pobreza ou uma exagerada vontade de explicar.


reverberando..r..e..v..e..r..b..e..r..a..n..d..o...r...e...v...e...r...b...e...r...a...n...d...o....r....e....v....e....r....b....e....r....a....n....d....o .....r.....e.....v.....e.....r......b......e......r......a......n......d......o.......r........e.......v.......e.......r.......b.......e.......r.......a.......n .......d.......o........


o tempo é uma reverberação de um movimento qualquer que não faço a mínima ideia de palavra. quanto mais você sente a reverberação desdobrar-se pelo próprio corpo, mais notas circulam dentro dos ossos e menos impulso se tem. a gente envelhece e tudo fica elástico, menos o próprio corpo - que cada vez menos retemos enquanto impulso - o corpo perde alcance. o tempo é um movimento transmitido nos corpos e neles existe. dizem, esse movimento inicial é da consciência de deus. isso é um nome, como o big-bang.

DESDOBRANDO_SE NO PRÒPRIO CORPO
DE DENTRO
UMMTEMPO
IMPULSOS
PROPAGAM UMMMUNDO

MUNDO
MUNDO
MUNDO
....UNDO
..........DO
..............IT>


O





...


dos cem mil em mim
não me pareço com nenhum
e ajo como mais de um


...


eduardo
...............................ardo
...............................ardo
...............................ardo

até que o próprio som me devolva meu nome



...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

um dia é noite-dia-noite

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uma noite é uma noite


.


dessa
. quando partir
não faça força
é que a sensação será a mesma

dessa
. quando partir
não se apegue
perceba que está sonhando
e lance os olhos pelo ar




.
"Quero ser compreendido pelo meu país,
mas se não for, tanto faz,
passarei por vocês de viés
como a chuva oblíqua passa"

(maiakóvski)

sobre as pinturas rupestres
lembrando que também leminski gostava de poetas egípcios, maias e outras pedras e papiros do caminho louco
e aproveitando o augusto de campos


Se eu não vejo a mulher que eu mais desejo, nada que eu veja vale o que eu não vejo


(1174-1974 procura no google!)



isso aqui tá uma baderna mesmo

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domingo, 8 de novembro de 2009

não existe gente grande

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eu nunca fui bom com palavras

embora o poeta da gente sempre tenha sido eu

eu sempre amo o que você foi

a vida não é lutar contra ela

o bonito é ser beleza para alguém

não existe gente grande ( "you´re a big girl now")

não calcifique os ossos da cabeça

viva perigosamente

nas fronteiras

não calcifique os ossos da cabeça

somos uma memória em alguém

não existe gente grande

a vida não é lutar contra a vida

ávida virevira

o bonito é ser uma beleza

viva poéticamente

viva a poesia em alguém

a vida não é lutar contra a vida

vire a memória também

virevira

sentipense

não calcifique os ossos da cabeça

não esqueça não esqueça

adeus

não calcifique os ossos da cabeça

não esqueça não esqueça

revire os ossos da cabeça

não existe gente grande

little miss blue

baby blue

sentipense seja

viva perigosamente

na fronteira

veja com os olhos de escuridão

viva perigosamente

senteseja

não lhe custa nada

só lhe custa a vida










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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

dormindo na rua

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marquise. na calçada estreita a chuva molha a cabeça do cachorro inerte.
atravessando os ossos um suor contínuo jorra por todos os poros da cabeça canibal.
hemorragia de mestre louco. sangue nos cabelos.
a cabeça molhada de cachorro entre meus dentes.

agora de todos os sentidos só me resta o faro
de uma multidão animal passando pela rua em reverência.









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Boneca Semiótica

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Jards Macalé - Rogério Duarte - Duda - Ricardo Chacal
Samba É Sempre A Mesma História
"Nosso Amor Morreu Na Glória"
A boneca foi embora
Não obstante esqueceu o seu
fantasma
A paisagem é uma floresta
de signos malignos que você desenhou
Paisagem De Fim De Festa:
Rótulo roto Vidro partido
Onde havia um sentido que você
apagou
Você venceu com A Lógica
Digital e analógica
Você não passa de progamadora
de repertório redundante da minha Dor.

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terça-feira, 20 de outubro de 2009

dos princípios

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por que o ser-humano indivíduo urbano cidadão normal ocidental investe tanto metabolismo na taxonomização

(...)

a linha de pensamento à deriva antes do sono





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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

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o que a gente tá fazendo aqui mesmo?















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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

artesão

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agora meus sonhos são feitos de argila
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domingo, 6 de setembro de 2009

questão de tempo

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respeitado o tempo de cada um
todos os objetos são líquidos
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terça-feira, 1 de setembro de 2009

caeiro, drummond, vinho e sonhos

na madrugada fria eu morro na cauinagem
que me desperta

o amor antigo nada espera
vive de si mesmo
pode sacudir-se feito mundo borgiano: só de memorar
VIVE

o sonho aquece e é justo.
nada significa, além. é justo.
parece demais pensar, mas toca.
contra um destino vão ergue a pretensa
vontade de existir

porque esperar não posso mais
e me mexo remexendo.

esse sonho, como outro e outro
é um carinho só. que não deve.

---
a vontade é de viver muito!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

enquanto isso em meca, niterói...


o que é que eu vou fazer com essa tal liberdade...


commpanheeeiro, descçe oouutra itaipáva! :)

ele dançava agarradinho. delicado, sabia a doçura das mãos no rosto da parceira.

pra onde quer que eu olhe eu penso em você...

o pulso firme e um giro completo, o braço direito o retém ao corpo da musa ao centro. ao findar o giro, nosso passista em um lento movimento inclina-se diagonalmente até quase o chão. sorri aos aplausos dos que também amam.

meu coração não sabe como te esquecer...

envolveu-a em seu corpo elegantemente, reaproximando-se, tocando-a com seu próprio peito. brincou palavras e sensações ao pé do ouvido. cheirando-a, chamou pelo nome de maria. carinhoso, dizia para ela voltar com ele.

troquei quem mais amava por uma ilusão...

ele bem queria poder levá-la para casa. mas ainda outra vez, não. o poste não poderia acompanhá-lo.

não é assim que acaba uma grande paixão...

domingo, 7 de junho de 2009

quem tem amor vai a roma

e o outro lado da baía ainda é o outro lado da baía.

saudade é mesmo pra quem envelhece?

violência hoje: um time inteiro no chão. tolas canelas, todas elas e um pé de cabra.



todos são outros e em mim, e só assim, há um que me diz.

começa algo. uns contra uns. faço parte de um indústria de armas e não fico a espera de uma lógica identitária para entrar em campo. outros contra outros.

o caldeirão se agita em cores.

somos, fomos, seremos, feito um deus judaico-cristão. porque tudo o é ao mesmo tempo agora. não tememos o um em múltiplas partes que diversificam-se em fractais de consciência. perspectivas. um contraste dialético: a agitação de partículas internas que transformam. não se afobe, isso é um princípio.

a árvore cresce em simetria invisível

NÃO COMA A TERRA.

há divesidade sim
adversidade não

sentipensação

o livro o livro o livro

o índio o índio o índio

o ódio o ódio




cegamos





sigamos










ciganos

quinta-feira, 4 de junho de 2009

quem tem amor vai a roma

e o outro lado da baía ainda é o outro lado da baía.

saudade é mesmo pra quem envelhece?

violência hoje: um time inteiro no chão. tolas canelas, todas elas. pé de cabra.



todos são outros e em mim, e só assim, há um que me diz.

começa algo. uns contra uns. faço parte de um indústria de armas e não fico a espera de uma lógica identitária. outros contra outros.

o caldeirão se agita em cores.

somos, fomos, seremos, feito um deus judaico-cristão. porque tudo o é ao mesmo tempo agora. não tememos o um em múltiplas partes que diversificam-se em fractais de consciência. perspectivas. um contraste dialético: a agitação de partículas internas que transformam. não se afobe, isso é um princípio.

a árvore cresce em simetria invisível, não coma a terra.

há divesidade sim
adversidade não

sentipensação

o livro o livro o livro

o índio o índio o índio

o ódio o ódio




cegamos





sigamos










ciganos

quarta-feira, 15 de abril de 2009

The Kid

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é só o doce na fôrma curtindo. inteiro indo.
é só o vinho que azeda na taça. mas passa.




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domingo, 12 de abril de 2009

exercícios

2



Eu vi um menino correndo.
Eu o vi em meio a objetos,
um menino e seus objetos,
um abstrato num palco concreto.


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E também vi o excesso comendo
as casas do meu bairro e em pouco
tempo erigindo um antigo progresso
de prédios mais altos de novo.




Mas ainda vi o mato imenso abrindo
caminhos após nosso efêmero rito.
Tomando espaços completos e mais:
curtindo as absurdas flores austrais.

aPonta do MC



A ponta do MC queimou na boca de Elomar nas barrancas do rio Gavião, eu tava lá e foi mais ou menos assim:



.
viola
violeiro
vai ter
que
violar
.


enquanto encontro um velho amigo
cantando toda a minha mudernagem
eu viro um antigo violeiro
servindo à parte party da cidade
pois um Homem sabe bem o que sinto, na madrugada o frio é um fardo pesado
virge maria que ouve bem o que eu digo, se for mentira me manda um castigo.

ah... pois prum MC e prum violeiro
só há três coisas que nos deixa bão
umsom, umaponta acesa e um candeeiro
e se a ponta num tá presa nóis nunca seremo são!

se um dia eu tiver que viver só internetligado
um dia antes desse dia eu morro
a vida aqui não é nada obrigado
e isso eu li num livro safado
que a lida dessa vida é uma viagem e cada um dá conta de seu passado
virge maria que ouve bem o que eu digo, se for mentira me manda um castigo.

ah... pois prum MC e prum violeiro
só há três coisas que nos deixa bão
umsom, umaponta acesa e um candeeiro
e se a ponta num tá presa nóis nunca seremo são!


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quinta-feira, 9 de abril de 2009

exercícios

1

O garoto está no pé da escada da piscina. A sombra da própria escada é aparentemente o lugar mais seguro do playground daquele edifício do valorizado bairro de edifícios. Nenhuma estrela num céu urbano de lua cheia. As iluminação quente dos postes torna a rua avermelhada. O asfalto úmido respira o ar da lenta madrugada fria - agora poucos carros animam a vista. Há poucas luzes nos apartamentos, em uma delas há um corpo de mãe, porquê o outro são pernas de criança sobre a cama. Como os playgrounds de todos os edifícios do quarteirão fazem divisa, são todos observáveis. O garoto se mexe em sombra. Está com uma garota. Um carro passa, depois outro. Após uma breve pausa um terceiro, conversível, carrega um único homem e muitos decibéis de música em sentido contrário. Um cigarro termina.



sábado, 4 de abril de 2009

5:14 e você entra aflita

nasci um dia depois.


restos de festa nos braços

são cônicos os seus apetrechos.

rápidos passos
em busca do sono

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ainda o vinho


Quatro da manhã estival.

O sono de amor permanece.

Nos arbustos desaparece

O perfume do festival.


Ao sol das Hespérides vão

Os Carpinteiros, na rotina

Da distante e vasta oficina.

Em mangas de camisa estão.


Calma e rugosa solidão

É a deles, fazendo os preciosos

Lambris, nos quais céus fantasiosos

Os citadinos fitarão.


Deves, Vênus, abandoná-los,

Os teus coroados Amores,

Por esses bons trabalhadores,

De um rei babilônio vassalos.


Banho de mar ao meio-dia

Vão tomar os trabalhadores.

Dá-lhes, Rainha dos Pastores,

Dessa aguardente que alivia.


Jean-Arthur Rimbaud em Delírios - II, Alquimia do Verbo

a lua do Persa


Rubaiyat


Volte em minha voz a métrica do Persa

A recordar que o tempo é a diversa

Trama de sonhos ávidos que somos

E que o secreto Sonhador dispersa.


Volte a afirmar que é a cinza, o fogo,

A carne, o pó, o rio, a fugitiva

Imagem de tua vida e de minha vida

Que lentamente se nos vai de logo.


Volte a afirmar o árduo monumento

Que constrói a soberba é como o vento

Que passa, e que à luz inconcebível

De Quem perdura, um século é momento.


Volte a advertir que o rouxinol de ouro

Canta unicamente no sonoro

Ápice da noite e que os astros

Avaros não prodigam seu tesouro.


Volte a lua ao verso que tua mão

Escreve como torna no temporão

Azul a teu jardim. A mesma lua

Desse jardim há de te buscar em vão.


Sejam sob a lua das ternas

Tardes teu humilde exemplo as cisternas,

Em cujo espelho de água se repetem

Umas poucas imagens eternas.


Que a lua do Persa e os incertos

Ouros dos crepúsculos desertos

Voltem. Hoje é ontem. És os outros

Cujo rosto é o pó. És os mortos.


Jorge Luís Borges

................ ................... ..................


94.


A lua do Ramazan

Acaba de aparecer.

Amanhã o sol banhará

Uma cidade silente.


Os vinhos dormirão quietos

Em suas urnas, e à sombra

Dos bosques repousarão

Tranqüilas as raparigas.


Rubaiyat - Omar Khayyam (séc XI). trad. Manuel Bandeira (séc. XX)



sobre os Rubaiyat


quinta-feira, 2 de abril de 2009

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se
a janela arde à tarde do dia
ou se
a chuva agita a água fria


desloque a cabeça para o universo
tudo é tempo, meu irmão.





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quarta-feira, 1 de abril de 2009

sim

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Ilha que leva minha vila embora.
Maníacos por parque, filhos das letras quaisquer.
querem meu sangue animal? querem meu tempo digital?
Aqui estou para serví-los. Ser vivo já não me basta.





.2005. ontem e hoje.

terça-feira, 31 de março de 2009

Gum


Páre, tire uma fotografia e siga em frente;

“Nos últimos tempos, a fotografia transformou-se num divertimento que se pratica quase tão amplamente como o ato sexual ou a dança - o que significa que, como toda manifestação artística de massa, ela não é praticada pela maioria das pessoas como arte. É, sobretudo rito social, defesa contra a ansiedade e instrumento de poder" Susan Sontag - 1973

sexta-feira, 27 de março de 2009

terreiro inconfidente

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conheça-nos!







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verdes




Verdes e antes de se espalharem

ainda serão

fonte de verde sobre a plantação.


os meus

os seus

que desterram-se juntos
que desencontram-se e tornam-se
juntos, porque existem duas vezes no plural.



(e o broto explode

e o talo cresce
e a árvore sim, madura, não esquece
a raiz que lança-se futura
mais e mais ao muito maior chão.)


não

sim
talvez...


transcendente à especulação
o ainda sim.
o chão. o despego vão,
não.

o impulso e
a reterritorialização.




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quarta-feira, 25 de março de 2009

Tédio.


-->
Comigo o metabolismo ficou torto
E o coração não trabalha para a cabeça
Fumo cigarro, não ganho dinheiro, escrevo pouco
E meu amor muda de uma cidade para outra.
Acordo e mato o dia cedo sem que ele mereça
Uma tarde melhor em que aconteça
Algo fora da previsão do ordinário, uma sensação louca
Que faça minha existência muito outra
E me ponha noutro plano de incerteza.

2007. e a manhã ainda é a hora mais perigosa do dia.

Cogito

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

-torquato neto.